Por Luis Aureliano
Positivamente, o ministro Carlos Luppi vem ganhando as manchetes dos noticiários não exatamente pelo que faz, mas pelo que fala, e fala erradamente.
Agora, o ministro nos brinda com crÃticas à s montadoras de automóvel que, segundo ele, estariam demitindo por egoÃsmo, para não terem diminuÃdos seus lucros. Ainda de acordo como o titular do Ministério do Trabalho, as montadoras deveriam esperar mais um pouco antes de demitir.
Luppi revela desconhecimento total de como funciona a economia capitalista. Não é pela generosidade ou altruÃsmo, já nos ensinou Adam Smith mais de dois séculos atrás, que se tem o pão, a carne ou o leite na hora que queremos. O padeiro, o açougueiro e o leiteiro acordam cedo, trabalham duro não porque são guiados por sentido humanitário, mas por auto-interesse.
De mais a mais, se as empresas que vêem a demanda por seus produtos cair não reduzirem custos, e isso pode significar demitir, vão à bancarrota.
Claro que é possÃvel encontrar soluções menos drásticas. Uma delas é a negociação entre patrões e empregados para reduzir salários e jornada de trabalho. Por sinal, o ministro ficou à margem das tentativas que vem sendo realizadas por sindicatos e entidades empresariais visando justamente minorar o desemprego.
Outra afirmação do ministro merece destaque: a de que em março a situação do emprego/desemprego no PaÃs estará equilibrada. Em que Luppi se baseia para fazer esse anúncio?
Ninguém hoje no Brasil pode fazer afirmações categóricas sobre o desempenho da economia. Ou o ministro chutou, sacou ou tem alguma bola de cristal – ato demagógico e pouco responsável – ou é ignorância e parvoÃce. Não há outro nome para esse disparate.
O ministro deveria ter lido ou, se leu, prestado atenção ao discurso de Obama, conclamando a uma era de responsabilidade. Prometer o que não pode ser cumprido ou anunciar o que não acontecerá é irresponsabilidade.
Falar menos e fazer mais – acertadamente, é claro – é o que deveria nortear o comportamento do ministro. O PaÃs, pelo menos, seria poupado de besteirol.
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