Por Luis Aureliano

Não poderiam ser piores as informações sobre as expectativas dos agentes econômicos reveladas em pesquisa do Serasa. Bancos e empresas do setor produtivo, em proporção avassaladora (mais de 80%) acreditam que a inadimplência aumentará em 2009. As razões apontadas são o desemprego e a redução da renda das pessoas.

É, portanto, o temor do calote que vem levando os bancos a diminuírem o crédito. Medidas que aumentem a liquidez muito provavelmente não terão impacto sobre o crédito ao produtor e ao consumidor.

O que fazer para reverter esse quadro?

Antes de mais nada, é inadiável que o governo dê sinais de que tem um plano contra a crise. Medidas foram e estão sendo tomadas, as falta um rationale por trás delas. Ações pontuais para beneficiar um setor aqui, outro ali, que não têm o potencial de dar sustentabilidade à atividade econômica, não geram confiança e nem sinalizam que o governo tem o pulso da situação.

A criação de um gabinete de crise, com capacidade de coordenar ações em diferentes setores do governo e para formular políticas coerentes e convergentes de combate ao desemprego e ao esfriamento da economia, por certo, seria a melhor resposta para os gigantescos problemas que confrontam o País.

Hoje, a Fiesp´anunciou a perda de 131 mil postos de trabalho na indústria paulista em dezembro último. Estranhamente, sabe-se lá com base em quê, o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, declarou que em março a questão do emprego estaria equilibrada.

Desencontros e declarações que tendem a minimizar os efeitos da crise têm sido comuns na administração Lula, desde a quebra do Lehman Brothers.

O próprio presidente demorou a reconhecer a gravidade da nova conjuntura. Com isso, deu o tom da postura que deveria nortear as relações de seus colaboradores da área econômica com a população.

A crise já se faz sentir com intensidade crescente sobre a atividade econômica e as exportações. A queda dos preços das commodities, somada à retração dos mercados externos, pode levar ao déficit na balança comercial em janeiro.

Melhorar o crédito é preciso, mas não resolve e nem elimina o risco de forte desaquecimento da produção e do consumo. É bem verdade que a crise não se dissipará senão a partir da recuperação da economia norte-americana e, por extensão, a da União Européia e a da China. Mas é urgente e inadiável que o País tenha uma política de combate à crise e não fique limitado a ações localizadas e sem impacto duradouro.

A saída exige planejamento e coordenação e uma guinada na postura do governo: é preciso cortar gastos correntes, desativar programas de eficácia e eficiência duvidosas e investir em projetos de infra-estrutura, meio ambiente, ciência e tecnologia, sem descurar, obviamente, da educação.

O tempo para perplexidade já passou. É hora de agir calculadamente, com rumo e direção únicos: a geração de empregos e a ativação da economia. Só assim se conseguirá desatar o nó das expectativas que trava a produção, o crédito e o consumo no País.



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