Por Luis Aureliano
Participação é elemento essencial das democracias. A participação na polÃtica se dá de várias formas, desde o voto até a militância em grupos e organizações da sociedade civil. Mas é preciso distingui-la: há a participação controlada, que acontece sob a égide dos regimes totalitários; há a manipulada, que é parte dos processos populistas de fazer polÃtica; e finalmente há a participação com autonomia, isto é, quem participa não é joguete polÃtico de ninguém.
A participação polÃtica reflete e se acha condicionada por fatores estruturais: desigualdade social, cultura polÃtica e outros condicionantes, como nÃvel educacional da população.
No Brasil, a participação polÃtica aumentou significativamente a partir dos anos 70, culminando com o movimento das Diretas Já, que foi decisivo para a retomada da democratização no PaÃs.
Mas não se pode cair no erro comum de considerar que democracia é só a participativa. Antes de mais nada, porque a participação mesmo sendo crescente esta ainda muito longe de envolver a maioria da sociedade. Depois, porque polÃtica e conflito andam juntos e é imprescindÃvel a representação para fazer a negociação e a acomodação dos interesses em jogo.
Democracia participativa sem instituições fortes capazes de responder aos anseios populares acaba gerando frustração, perda de confiança na polÃtica e nos polÃticos, cinismo e, principalmente, instabilidade.
O grande problema que confronta as democracias jovens, na América Latina sobretudo, é a incapacidade das instituições polÃticas de responderem efetivamente à s demandas vocalizadas pelos segmentos mobilizados.
Para melhorar e incrementar a participação é, pois, imprescindÃvel aprimorar o funcionamento das instituições polÃticas. Criar espaços e estruturar processos para que se dê a participação é fundamental.
Nem sempre os defensores da democracia participativa ou da democracia direta se dão conta das limitações colocadas pela inexistência de aparato institucional maduro e efetivo e que funcione em moldes democráticos.
Na BolÃvia de Evo Morales, a expansão da participação vem se dando à s expensas do enfraquecimento das instituições. Ocupações de estradas e de prédios públicos, utilização de meios violentos em lugar da negociação acabam comprometendo a ordem pública e polÃtica, podendo desestabilizar as bases do regime.
No Brasil, houve aumento de participação. Em alguns casos, como o do MST, tomou feição autoritária. Em outros casos, onde a participação foi institucionalizada, há grandes possibilidades de avanços polÃticos.
Mas é preciso olhar também para as instituições para aprimorá-las.
Afinal, em sociedades grandes e complexas, com diversidade de interesse e, portanto, com muitos conflitos, sem instituições efetivas e eficazes a democracia não vinga.
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