Por Luis Aureliano

Errar é humano, mas abusar do direito de errar revela despreparo e incompetência ou então é trapalhada, o que dá no mesmo. O governo do presidente Lula cometeu o que os comentaristas de tênis costumam chamar de erro não forçado: o imbróglio com a Itália e a questão das licenças prévias para importação.

No primeiro caso, que envolve o pedido de extradição de Cesare Battisti, o protagonista maior foi o ministro Tarso Genro, que concedeu status de refugiado a esse cidadão condenado pela Justiça comum por quatro homicídios.

Não é primeira vez que Tarso Genro assume papel incendiário. Quando ainda estava fora do poder foi o protagonista principal do movimento “fora FHCâ€, que pretendia apear o então presidente. Agora, contrariando parecer do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e de assessoria do Ministério da Justiça, concedeu refúgio político a um criminoso comum.

Não são válidas as alegações de Genro para justificar seu parecer. Battisti foi julgado por um tribunal italiano – e a Itália é uma democracia – e condenado como criminoso comum. Seu caso foi levado às instâncias competentes da União Européia, que ratificou a decisão da Justiça italiana.

Dois pesos e duas medida. Genro extraditou os pugilistas cubanos que pediram asilo ao Brasil, quando todo mundo sabe que o regime de Fidel é uma ditadura. Não há liberdade de imprensa e o regime mantém a sociedade cubana sob tutela.

É verdade que a reação italiana, do governo e da sociedade, tem sido exagerada. Mas foi um erro evitável que causou já danos à imagem do presidente e do País lá fora.

A segunda trapalhada, corrigida ontem à noite com a decisão de voltar atrás, foi a imposição de exigência de licenças prévias para importação.

A iniciativa criava, literalmente, uma barreira não-tarifária para a entrada de produtos do exterior. Representava volta às soluções do passado, quando por decreto e sob controle de burocracias ineficientes se procurava barrar importações.

A medida provocou reações imediatas dentro do Mercosul e junto aos setores empresariais brasileiros. Era não só um retrocesso, mas também uma incoerência. O Brasil vem lutando para levantar obstáculos às nossas exportações e a medida propunha barreiras para “protegerâ€a economia brasileira.

Foi um tiro no pé, felizmente corrigido antes que houvesse risco de gangrena.

Tudo isso poderia ser evitado com coordenação dentro do governo.



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