Por Luis Aureliano

Ciência e tecnologia são determinantes para as condições de vida do homem no planeta. Da caverna aos nossos dias, a transformação que teve lugar foi colossal e incomensurável. Nos últimos cinqüenta ou sessenta anos, a mudança ganhou ritmo acelerado, sem precedentes históricos.

Os avanços científicos e tecnológicos aconteceram, na maioria das vezes, na esteira de pesquisa orientada por fins militares. A vitória na guerra foi sempre uma das razões para desenvolver novas tecnologias.

A partir dos anos sessenta do século passado, a conquista da Lua – sobretudo com os projetos espaciais da Nasa – foi o grande dínamo que impulsionou investimentos e levou a novos desenvolvimentos e a novas tecnologias.

Agora, com Obama à frente do governo norte-americano, prenuncia-se o que poderá ser um novo surto tecnológico. A finalidade não é a guerra ou a retomada dos projetos espaciais, mas a conservação da energia.

Obama deu prioridade, na ajuda que concedeu às empresas, ao desenvolvimento de novas tecnologias que poupem energia, não aumentem o aquecimento global e que se baseiem na exploração de fontes renováveis e alternativas de energia.

Se vencer as resistências dos fortes interesses contrários – o maior deles é a industria do petróleo – que contam com suporte considerável no Congresso norte-americano, e conseguir por em prática suas prioridades, Obama estará matando dois coelhos com uma cajadada só: a crise e os desequilíbrios causados à natureza pelo automóvel e pelo consumo excessivo de recursos fósseis, não-renováveis.

A lógica por trás da nova política defendida por Obama é irrepreensível. Por que não aproveitar a oportunidade e superar a crise dando um passo à frente e mudando a forma de produzir e atacando o consumismo, que assola os Estados Unidos e se disseminou para o resto do mundo, representando ameaça ao equilíbrio desse pequeno ponto no infinito que o homem habita?

Marx falou do fetiche da mercadoria, mas hoje vigora o fetiche do consumo. Isto tem condicionado o modo e o estilo de vida e está levando a saques incessantes e crescentes dos recursos da natureza.

Muito embora os obstáculos sejam consideráveis, Obama pode, ao fim e ao cabo, lograr impor sua nova visão. A indústria automobilística norte-americana, devastada pela crise, já cedeu às condições que o atual presidente dos Estados Unidos estabeleceu para conceder ajuda.

Uma nova aurora para a ciência e a tecnologia pode estar surgindo no horizonte. O Brasil não pode ficar de fora. Precisa também buscar na superação da crise instrumentos para promover o desenvolvimento científico e tecnológico entre nós.

Mas não é desmatando ou cortando verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia que atingiremos esse fim. O presidente Lula precisa rever suas prioridades e dedicar mais atenção e recursos para o desenvolvimento da ciência e tecnologia e a proteção ao meio ambiente no País.



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