Publicado no jornal O Globo (31/01/2009). Artigo de Cristovam Buarque. Ãntegra para assinantes, clique aqui.

É constrangedor acompanhar a troca de acusações entre dois ministros. Reinhold Stephanes, da Agricultura, defendendo o aumento da produção agrícola, e Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, a preservação das florestas. Os dois têm razão, o governo é que não tem. Cada um defende os objetivos de sua respectiva pasta, porque o governo não definiu uma linha de ação à qual os ministros fiquem submetidos. É preocupante ver o governo determinar que uma ministra aparte os que estão brigando, no lugar de fazer uma opção sobre quem tem razão. Como se o problema estivesse no desentendimento pessoal e não no choque conceitual.O problema não é apartar duas visões diferentes, mas formular uma visão e optar por ela.

O que está em jogo não é fazer que os dois ministros se calem, mas determinar a escolha, entre concepções diferentes, para definir uma linha que oriente o desenvolvimento que o país precisa seguir. O que deve estar em debate não são as posições dos dois ministros, mas a posição do governo e do país para seu futuro: manter o velho padrão de desenvolvimento a qualquer custo ou escolher um modelo com base na conservação de nosso patrimônio natural e na justiça social. Aparentemente esta escolha não vai acontecer, porque o atual governo é de “apartarâ€, não de “optarâ€. O estilo do presidente Lula é de apartar as diferenças que existem nos diversos grupos sociais e políticos nacionais, procurando e conseguindo aglutinar pela omissão da escolha.



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