Por Luis Aureliano
A qualidade polÃtica dos governantes se mede a partir de suas decisões. Vacilar é defeito tão grave quanto escolher o caminho errado. Não atacar os problemas de frente ou adiar sua resolução é pecado mortal.
Mas sem clarividência e descortino, as ações polÃticas, mesmo que guiadas pela busca do bem comum, acabam em desastre. O governo do presidente Lula, desde que a crise começou, vem cometendo muitos pecados veniais e alguns mortais.
Subestimou a crise e o seu impacto sobre a economia brasileira por fanfarronice e temor de perda de popularidade.
Retardou o quanto pode o ajuste do orçamento da União para 2009, enviando sinais equivocados para o mercado e para prefeitos e governadores que recebem repasses do governo federal. Só recentemente é que o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, contingenciou cerca de R$ 34,5 bilhões do orçamento do ano em curso.
Lançou, presumivelmente para se prevenir de déficit na balança comercial, as malsinadas licenças prévias e menos de dois dias depois as revogou.
Agora, a Ministra Dilma Roussef anuncia aumento nas inversões do PAC. Em princÃpio, a decisão é correta. Mas isso é só aparência.
Antes de mais nada, seria preciso direcionar esses recursos para colocar o PaÃs nos trilhos do futuro. Obama, que nem bem se familiarizou com a Casa Branca, deu o exemplo a seguir. Os investimentos que busca aprovar junto ao Congresso norte-americano não se limitam a salvar empresas e empregos. Neles há condições e objetivos que buscam moldar um futuro diferente para os Estados Unidos, com mais preservação do meio ambiente, menos gastança de energia e articulação com o avanço cientÃfico e tecnológico. O mesmo não se pode dizer do PAC.
Nossos portos, aeroportos e rodovias continuam precários e onerando o Custo Brasil. O orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia foi drasticamente podado. E pouco ou nada se propôs em matéria de polÃtica urbana, para apoiar o transporte de massa, diminuir a favelização, a criminalidade e a violência.
Mas os pecados do governo Lula, apesar das boas intenções e até do rumo certo das medidas para combater a crise, não se limitam a isso.
A reforma do Estado deveria ter sido retomada. As parcerias público-privadas precisariam ser estimuladas. E, por fim, a modernização da máquina governamental relançada. O presidente Lula contratou milhares de funcionários e aumentou salários, mas os serviços públicos não melhoraram um centÃmetro.
Programas e projetos públicos são, em geral, acompanhados de forma precária e episódica. O próprio PAC, arma e estandarte do governo Lula e carro-chefe da candidatura da ministra Dilma, gasta mal e menos do que o previsto. É moroso e ineficiente.
Sem a adoção de métodos de gestão por resultados, com metas e objetivos claros e com um controle especial, mesmo com muito mais recursos, a eficácia do combate à crise ficará comprometida. Serão, como se diz na gÃria, medidas de meia colher.
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