Por Luis Aureliano
A obsessão do presidente Lula em viabilizar a candidatura da ministra Dilma Roussef levou o governo a práticas que fariam inveja a Houdini, o mágico francês que se notabilizou pelo ilusionismo no século passado.
Os investimentos adicionais do PAC anunciados ontem pela ministra da Casa Civil abrangem inversões em andamento, algumas das quais nem são financiadas com dinheiro federal, e outras que dificilmente sairão do papel, pelo menos na velocidade esperada, como as inversões da Petrobras no pré-sal.
O PAC vem sendo difundido pelo governo como sua arma principal contra a crise. Suas realizações foram pÃfias no ano passado. Menos de 40% do que havia sido previsto. E o pior é que o governo nada fez para melhorar a taxa de implementação do programa.
De tudo isso, pode-se inferir que o governo continua subestimando a crise ou simplesmente não sabe o que fazer. O episódio das licenças prévias tende a corroborar a segunda hipótese. Do contrário, como explicar que a medida tenha sido revogada tão prontamente quanto foi editada?
Se o PAC não funcionar e a crise se agravar, como tudo indica que acontecerá, essa estratégia irá por água abaixo. Será que ninguém do governo ou no governo pensou nisso?
Entretanto, esse não é nem de longe o problema principal. Obama brindou o mundo com um discurso em que conclamou à responsabilidade. O que o governo vem fazendo no combate à crise beira à irresponsabilidade.
Primeiro, foi a atitude de ignorá-la e tratá-la como se não tivesse impacto algum sobre o PaÃs. O Brasil cresceu mais nos últimos anos em virtude de um contexto internacional extraordinário que elevou a alturas inimagináveis os preços das commodities, principalmente, petróleo, minério de ferro e soja.
Agora que a economia americana desandou era obvio que serÃamos afetados também, menos do que em crises anteriores, mas serÃamos atingidos.
A mentira, principalmente, a mentira praticada na polÃtica, é a mãe de todos os autoritarismos. Não manipular fatos e informações é obrigação ética dos polÃticos e governantes democráticos.
Os altos Ãndices de popularidade do presidente Lula subiram-lhe à cabeça. Daà essa pedagogia polÃtica maligna e perversa, porque tenta enganar – não há outra expressão – a população com truques de prestidigitação.
Mas mais cedo do que se espera, a verdade virá à tona.
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