Por Luis Aureliano

E se Obama falhar, o que acontecerá com os Estados Unidos e o mundo? É impossível deixar de reconhecer que há uma aura de otimismo desde que Bush deixou o poder e o presidente negro assumiu passou a residir na Casa Branca.

Mas a crise é grave, a mais grave de todos os tempos. Há quem afirme, como Nouriel Roubini, que o sistema bancário norte-americano está quebrado e sua recuperação exigiria somas fantásticas, acima de US$ 3,6 trilhões. De onde virá todo esse dinheiro e quem pagará a conta?

É certo que a virtual falência da banca americana arrasta boa parte do sistema financeiro europeu e japonês. A União Européia, pela voz de alguns mandatários dos países-membros, recusa-se a arcar com o custo dos bancos podres.

Para agravar todo esse quadro catastrófico, pelo que se viu do pacote anunciado pelo secretário do Tesouro americano, faltam dados cruciais, como o tamanho e o volume dos chamados créditos tóxicos – as hipotecas subprime –, e não se tem clareza sobre o que fazer para evitar que a catástrofe se aprofunde.

Mas e se o pior acontecer e o Plano de Obama falhar? O impacto não ficará restrito ao campo econômico. Até o momento, as análises da crise têm-se concentrado no terreno da economia. Mas, e as conseqüências sociais?

E se o desemprego atingir dois dígitos, as pensões baseadas em aplicações financeiras sofrerem redução drástica, que impacto poderão ter no campo social e político?

Crime, violência, protestos políticos e deslegitimação do sistema democrático podem sim vir a ocorrer. Alguns desses fenômenos – o aumento da violência e da criminalidade ou ondas de protestos políticos, por exemplo, – podem acontecer primeiro.

Se a administração Obama falhar e não equacionar rapidamente a crise todo esse imenso capital político, toda a esperança acumulada ao longo da campanha presidencial e até o carisma do presidente podem simplesmente desaparecer como água entre os dedos.

Instituições precisam ser eficazes e eficientes do contrário perdem substância. Por algum tempo mas nunca por todo o tempo, legitimidade pode suprir déficits de eficácia governamental.

A dura realidade é que um tsunami social e político se acerca das costas norte-americanas. O epicentro foi ou está sendo a quebra de Wall Street. Só o Estado pode salvar a economia dos Estados Unidos, afirmou acertadamente Barak Obama. Mas para isso é preciso que suas ações atinjam o alvo e ponham fim à crise ou pelo menos ponha ordem na economia.

Se a catástrofe econômica se agravar provocará instabilidade política e social de gigantescas proporções. Os Estados Unidos correm sérios riscos que até recentemente se acreditava que eram típicas dos países emergentes ou das jovens e imaturas democracias.



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