Por Luis Aureliano

Passadas mais de três semanas da posse, Obama está começando a se desgastar politicamente. Eleito em meio à crise do século 21, ele contou com apoio eleitoral e popular sem precedentes na história recente dos Estados Unidos.

Largou na disputa presidencial como azarão. A candidata do establishment era Hillary Clinton. Venceu-a apertadamente, com um discurso de mudança. Depois, foi a vez de McCain.

Não será fácil transformar o lema Yes, we can em realidade. A aprovação do pacote que submeteu ao Congresso é a primeira prova das dificuldades que ainda o aguardam. Na Câmara, o projeto de Obama foi aprovado sem um único voto republicano favorável. Isto mesmo tendo havido negociações que alteraram significativamente a proposta inicial.

Obama tem a respaldá-lo a opinião pública e a imensa maioria do eleitorado norte-americano. Mas as relações da Casa Branca com o Capitólio não são tão simples. Kennedy colecionou derrotas no Congresso, e suas tentativas de aprovar legislação sobre direitos civis malograram. Só quando Lyndon Johnson o substituiu no poder é que foi possível aprová-las.

Obama é, sob certos aspectos, um outsider em Washington. Ou seja, alguém que não faz parte nem desfruta da confiança do establishment, o sistema de forças políticas que detém a hegemonia no cenário político dos Estados Unidos.

Não há razões para imaginar que o desempenho político de Obama junto ao Congresso mudará substancialmente e a seu favor. Aos poucos, entre economistas de diferentes persuasões, está se consolidando a posição de que a crise financeira só se resolverá com a estatização provisória dos bancos.

Nouriel Roubini, Paul Krugman e outros economistas consideram que o sistema bancário norte-americano está insolvente. Qualquer medida para saneá-lo seria mero paliativo. O plano de resgate apresentado pelo secretário do Tesouro, Timothy Geitner, embora esteja na direção certa, foi considerado vago e provocou reações negativas.

Separar os ativos podres dos bons, criar um banco limpo e deixar os títulos tóxicos nos outros tem se mostrado tarefa mais complexa do que se antecipava. O montante desses títulos é desconhecido e se acha espalhado no mundo inteiro, comprados que foram por bancos europeus, japoneses e chineses.

Se o plano de Geitner, que é aberto e será construído passo a passo enquanto os desdobramentos da crise ganham contornos mais nítidos, não der certo, a opção quase inevitável será a estatização dos bancos.

Mas no centro do capitalismo, com as crenças e interesses existentes na sociedade norte-americana, que são visceralmente opostas a essa solução, será isso viável politicamente? Não será considerada como passo para o socialismo ou comunismo?

Obama precisará de todo o carisma, poder de persuasão e de inspirar confiança para vencer as pedras, que não são pequenas, que estão colocadas no seu caminho político.



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