Por Luis Aureliano

Em breve o Senado Federal deverá votar, finalmente, o ingresso formal da Venezuela no Mercosul. O governo do presidente Lula pressiona em favor da aprovação, mas será isso vantajoso para o País e para o bloco?

Um parceiro a mais e, sobretudo, um parceiro governado por quem, como Chávez, tem idéias muito diferentes sobre democracia, mercado e papel do Estado poderia agravar ainda mais as dificuldades já existentes para obter consensos e convergências nas políticas comuns do Mercosul.

As assimetrias entre o Brasil e seus atuais parceiros, somadas às diferenças com o governo da Argentina, que reza por outra cartilha econômica, poderiam inviabilizar de vez o Mercosul, o que forçosamente levaria o País a buscar outros caminhos.

Muitos justificam a entrada da Venezuela como forma de proteger as exportações brasileiras para aquele país. Alegam que Chávez poderia retaliar e reduzir drasticamente as vendas de produtos brasileiros para a Venezuela.

Mas as evidências não justificam esse temor. Claro que Chávez quer ingressar no Mercosul e fará um grande estardalhaço, caso o Congresso venha a votar contra essa proposição.

Poderia até inicialmente dificultar a importação de mercadorias do Brasil. Entretanto, Chávez não tem muitas opções. O pequeno parque industrial da Venezuela ficou ainda menor durante seu governo. A agricultura local é incapaz de prover as necessidades de alimentação da população venezuelana.

A verdade é que Chávez depende hoje, para o abastecimento interno, de alimentos da Colômbia, Brasil e Argentina. Retaliar o Brasil por ter recusado sua pretensão de participar do Mercosul acabaria produzindo efeito contrário. A Venezuela perderia mais.

Independente disso, se o Mercosul pretender avançar e evoluir para um arranjo semelhante ao da União Européia, outras considerações precisam ser ponderadas, não apenas no campo econômico, mas também no político.

O socialismo do século 21 é o novo anacronismo político da América Latina. É equivocado e confuso, não leva em conta as transformações da ordem econômica mundial e constitui, a rigor, uma carapaça ideológica que abriga soluções populistas e modelos econômicos esdrúxulos.

Chávez seria um estorvo para negociações sobre comércio com a União Européia ou com os demais países centrais na hipótese de retomada de Doha.

Ficaríamos amarrados a uma liderança política maluca que tem malversado os gigantescos recursos que seu país amealhou no tempo das vacas gordas do preço de petróleo.

Melhor ficar como está, com a Venezuela fora do Mercosul.



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