Por Luis Aureliano
Prévias polÃticas no Brasil? Por que não? Adversários da tese alegam que no PaÃs os partidos não têm tradição nessa prática. Outros alegam que, em lugar de unir, desagregam. Com quem está a razão?
Prévias para a escolha de candidatos são consultas feitas aos membros dos partidos. São, na verdade, uma campanha restrita apenas aos filiados de cada partido.
É verdade que o PaÃs não tem tradição nessa área. O costume polÃtico é a cúpula escolher e decidir quem representará o partido na disputa eleitoral. Ou seja, a prática acaba sendo autoritária.
Quanto a desagregar, polÃtica envolve quase sempre escolha, em que um ganha e um perde. No caso de disputas eleitorais, só há um cargo a ser preenchido e, portanto, só haverá um vencedor. Todos os preteridos são perdedores.
Com as prévias, o partido volta a suas bases. Os candidatos mantêm contato direto com os membros do partido. Tomam conhecimento direto de suas aspirações, necessidades e preferências. Trata-se, em última análise, de antecipação da partida final, a que será jogada com a participação de todos os eleitores.
Os ganhos dessa ida à s bases trazem, obviamente, ganhos à s agremiações polÃticas. Renova as estruturas partidárias, revitaliza os compromissos entre membros do partido e seus representantes que ocupam cargos polÃticos e contribui para aumentar a influência dos eleitores no processo polÃtico.
Sim, é possÃvel que as prévias gerem seqüelas com impacto na etapa final de consulta ao eleitorado. Mas esse efeito pode ocorrer – e ocorre – quando a escolha é fechada e feita de cima para baixo. Dependerá em grande parte da maturidade dos que submetem o nome à avaliação dos membros do partido.
Hillary Clinton era a favorita disparada, a preferida da cúpula do Partido Democrata, e Obama, o azarão. Mas venceu Obama não só porque tem carisma e foi mais competente na disputa, mas, principalmente, porque foi o candidato mais sintonizado com as aspirações e anseios do eleitor democrata.
Prévias democratizam a escolha inicial da polÃtica: a definição do candidato. Mobiliza dentro e fora do partido. Isto porque, afinal, o resto da sociedade não permanece estática, na condição de espectadora do processo. Acaba participando, ainda que indiretamente.
Juscelino desafiou os caciques do PSD e lançou seu nome à Presidência. Sua ousadia valeu-lhe a vitória nas eleições. A decisão dos dirigentes do PSDB de aceitar a proposta de Aécio Neves para que a escolha do representante do partido na disputa pela Presidência em 2010 seja feita mediante prévias é democrática, inovadora e fortalece as estruturas partidárias e a relação da agremiação com os eleitores, seus ou não.
A proposta de Aécio Neves, para que ele e Serra percorram juntos o PaÃs, debatendo propostas e idéias, é um avanço na prática e nos costumes polÃticos brasileiros. O contato com as bases, com a comunidade e com os eleitores só faz bem à democracia. Quebra tradições, mas representa um passo significativo para consolidação da polÃtica democrática entre nós.
Envie esta mensagem.


Com certeza a realização de prévias é uma forma muito interessante para se democratizar a escolha de candidatos a presidente, como também de outros cargos executivos. A participação das bases partidárias na escolha de seus candidatos aproxima os desejos e quereres dos militantes partidários de sua direção, diminuindo o poder dos caciques que, em muitas vezes, preferem se distanciar de seu sfiliados.